... antes da noite ...
8.9.04
 
o sonho continua...
ficaste contente com a nova aquisição. também tu não consegues resistir a um cãozinho. no final do telefonema disseste-me que provavelmente chegarias mais cedo do que o previsto. o serão de sexta-feira já era certo para nós. desliguei o telemóvel e fui fazer o jantar para mim. acabei por adormecer, o dia tinha sido demasiado aborrecido e estafante.

hoje é quarta-feira. sinto tanto a tua falta. mas já falta pouco para voltar a sentir os teus lábios bem coladinhos aos meus. é tudo diferente sem ti. é tudo um grande vazio. grande e sufocante. ainda bem que é por pouco tempo. parece que estes dias fazem-me lembrar os velhos tempos. tempos em que a tua imagem só era possível de se ver nas nossas inúmeras fotografias e na minha cabeça. ou de 2 em 2 meses, quando nos reencontrávamos... bons e velhos tempos...

31.3.04
 
em stand-by...
por várias razões, nos próximos tempos não desenvolverei o rumo desta pequena história. mas não deixo de sonhar. continuo este sonho, rumo à felicidade. encontramo-nos qualquer dia. eu volto...
10.11.03
 
"vivo o sonho. permanentemente. antes da noite chegar."
sou uma sonhadora. e por isso vivo num mundo diferente. repleto de amor. onde os problemas não atingem um estado significativo. onde sei que tudo acaba por correr bem. e gosto de viver assim. vivo com uma esperança. sempre.

desde sempre que me conhecem assim. optimista. e tenho sido muito criticada por isso. por viver sempre com a ideia de que tudo é muito bonito. e o que não é tão agradável aos nossos olhos, depressa se transforma em algo menos problemático. basta um esforço. basta ver o lado bom das coisas. por alguma razão ele existe.

mas tu foste diferente. não me criticaste. muito pelo contrário, adoraste saber que alguém ainda sonha neste mundo vago e longínquo. gostaste de ver o mundo em que eu vivo. e quiseste sonhar comigo.

ainda me lembro de quando te conheci. desde logo soube que eras especial. que de alguma forma, í­as marcar a minha vida. de alguma maneira. e acabou por acontecer.

hoje sei o que és para mim. qual a personagem que vestes neste jogo de emoções. sei que sem ti, a história deixa de fazer sentido. e não digas que não. porque eu sei. já o senti na pele. e ainda o sinto.

porque sou sonhadora, sempre lutei pelos meus objectivos. nem sempre é fácil. mas a minha óptima conquista demonstrou-me que vale a pena. ganhei a minha privacidade. encontrei o meu refúgio. sou livre.

hoje tenho 25 anos, trabalho, faço aquilo que gosto e tenho o meu cantinho. tenho alguém que me ama. que eu amo. tenho os meus amigos. e a vida pela frente. sou feliz.

lembro-me da primeira noite em minha casa. estava completamente vazia. tinha apenas um velho colchão na sala, para poder dormir. isto, claro, sem contar com a cozinha e com a casa-de-banho, já devidamente equipadas. recordo-me de teres entrado e de teres ficado boquiaberto. fiz questão de mostrar-te a casa no dia em que fui viver para lá. e foste o primeiro a vê-la. quis que fosse assim. já sabia que essa í­a ser a tua reacção. e quando disseste que era completamente diferente e única, sorri. com o maior dos sorrisos. também pensava assim. por isso a tinha comprado.

fiz questão que passasses a primeira noite comigo. afinal, era um sonho meu realizado. e queria partilhá-lo contigo. mais do que tudo, contigo. porque sei que também o querias.

foi bom acordar de manhã e ver-te ao meu lado, na cama. viver um momento que há anos visualizava na minha cabeça. também foi bom acordar na minha casa. na minha sala. na minha cama. em algo que é realmente meu. escusado será dizer que foi bom passar a manhã de sábado contigo, trocando carinhos e palavras de amor.

volto a lembrar-me da altura em que nos conhecemos. éramos dois miúdos giros, cheios de energia e consumidos pelo amor. nada nos detia e sempre que estávamos juntos o mundo era belo e não havia tristezas. éramos um. e o mais engraçado é que continuamos a sê-lo. apaixonados, cada vez mais entusiasmados com a nossa "coisa" tão especial, com o nosso amor. continuamos a ter aquela ligação espectacular, a harmonia que sempre existiu entre nós os dois. no fundo, continuamos a amar-nos. cada vez mais.

há dias pensava no tempo que agora passamos juntos. passei anos a desejar que isto acontecesse. poder ver-te todos os dias. e é tudo tão diferente. muitas pessoas diziam que a distância é que mantinha o nosso namoro. mas nunca acreditei que fosse assim. e o facto é que estarmos juntos só melhorou a nossa relação. olho hoje para nós e penso que nos damos ainda melhor do que nos primeiros tempos. temos uma cumplicidade cada vez maior. tal como o nosso amor.

há dias estive a conversar com uma amiga minha. não anda muito bem porque terminou um relacionamento há pouco tempo. nunca sabemos o que dizer quando nos defrontamos com uma situação destas. é complicado. o mais certo é dizer que homens há muitos e que o melhor é esquecer e seguir em frente. mas não é assim tão simples. há sempre alguma coisa que fica. que marca. muitos momentos, muitas histórias. por isso, não tão fácil de esquecer.

antes de ir embora, disse-me que eu sou uma sortuda. perguntei-lhe porquê. "tens tudo o que é preciso para ser feliz...", respondeu-me num tom rouco e melancólico. sorriu e deixou-me ali no café sozinha, a pensar naquilo. e tenho pensado muito, eu sei que ela tem razão. tenho tudo o que é essencial para mim. acima de tudo, tenho-te. e isso vale mais do que tudo, porque é em ti que procuro a felicidade.

ultimamente, tenho tido alguns desentendimentos com alguns amigos. é certo que me tenho afastado deles mas isso não impede que nos continuemos a dar bem. afinal, eu agora tenho a minha vida. o meu trabalho. as minhas coisas. e é natural que algo mude, mau era se fosse tudo sempre igual.

não gosto que me digam como viver a minha vida. fico furiosa quando isso acontece. talvez também porque não sou muito paciente. se não gosto, não gosto. e é muito raro eu engolir sapos à custa dos outros. mas por vezes é o melhor a fazer. assim, o mundo já não desaba sobre nós.

é engraçado. quando era mais nova, pensava que era muito independente e que tinha a minha liberdade. mas afinal estava presa a muitas coisas que não me satisfaziam, que não me faziam propriamente sorrir. e foi difícil dar a volta e atingir o meu objectivo de me sentir leve e bem comigo mesma. mas depois também pensava que a solução estava em aproveitar o lado bom da minha vida e transformar o lado mau em algo mais agradável. mesmo sendo complicado. mesmo pensando muitas vezes que isso seria impossível. mas era uma maneira de encarar melhor as coisas. e de certa maneira, resultou.

procuro sempre ver o lado positivo da vida. mas, como em tudo, não temos só sonhos bons. de vez em quando não conseguimos evitar alguns pesadelos. deixamo-nos levar pelo medo que o pesadelo nos consuma. não nos apercebemos que nós é que controlamos a nossa mente e que somos os únicos com o poder de melhorar a situação. simplesmente deixamo-nos levar pelas sensações.

nem sempre tudo é bonito. nem sempre te digo aquilo que quero dizer. porquê? porque não consigo. como hei-de dizer-te que eu sou humana e que, por isso, também sinto coisas más? como fazer-te compreender que o ciúme também me abala? como? diz-me como. não quero que fiques triste por isso escondo este pequeno segredo. que também eu sinto ciúme. das coisas mais banais. e não és tu, sou eu. que não consigo encará-lo, nem tão pouco confessar-to.

por isso, perguntas-me porque estou triste. respondo-te naquele olhar vago que o dia não correu bem. sabes que minto mas não dizes nada. amas-me e queres acreditar que está tudo bem. e sinto-me tão mal por isso. porque sei que tu estás ali. ao meu lado. para o que for preciso. e eu não consigo dizê-lo. não consigo dizer que o ciúme invade a minha alma e corrói-me por completo. não consigo dizer aquilo que eu mais tenho medo. perder-te.

não dizes nada. mas sei que esperas alguma palavra de confissão. o teu olhar não o esconde. e sinto-o a sussurrar. sem dar por isso, estou sentada à tua frente, as tuas mãos sobre as minhas, e confesso-te tudo. tudo o que me vai na alma. medos, angústias. tudo o que me atormenta. tudo. continuas sem dizer nada, olhas-me com um sorriso. abraças-me.

- gosto tanto de ti.

não consegues ficar triste ou chateado comigo. pelo contrário, mostras mais do que nunca que me amas e que eu sou o teu mundo. e eu sinto-me leve. feliz. apercebo-me que encontro sempre a cor que preciso em ti, para transformar os meus dilemas cinzentos e vagos. e como todas as histórias, acaba sempre por correr tudo bem.

numa noite quente, o céu chora compulsivamente. as estrelas fugiram com o seu brilho e deixam a noite escura e triste. tu proteges-me da tempestade com o teu abraço. contigo não tenho medo. o teu calor dá-me força para continuar. não quero que vás.

- fica comigo esta noite.

adormecemos os dois entrelaçados no sofá, a ver algo na televisão.

acordo a meio da noite de um pesadelo. sonhei que te perdia, para sempre. mas não. estás ali. sereno. ao meu lado. foi só um sonho. apenas um sonho mau. volto a adormecer, consciente que te tenho e que te vou ter sempre. mesmo que isso seja só uma fantasia. na minha cabeça é real.

às vezes apanho-te a olhares para mim. daquela forma. não me incomoda mas sinto uma certa curiosidade. quero saber o que estás a pensar. tu sorris e não dizes nada. limitas-te a continuar a olhar. procuro abstrair-me no meu livro. mas não consigo concentrar-me. o teu olhar chama-me. procuro novamente saber o teu pensamento. e voltas a sorrir. porém, murmuras algo que não consigo perceber. aproximo-me de ti e peço-te para repetires. sorris.

- és linda.

sinto-me a corar. já mo disseste muitas vezes. já perdi a conta. mas continua a parecer a primeira vez. não posso negar que me fazes sorrir. muito pelo contrário. fazes-me sentir bonita. mesmo eu pensando que não é verdade. fazes-me acreditar que sou especial. para ti. para o mundo. fazes-me feliz.

há tempos, cheguei a casa e não estavas lá. uma viagem do trabalho impossibilitou a tua presença. a casa parece diferente. está mais vazia. habituei-me a ter-te por perto. passei demasiado tempo longe de ti e agora que estou tantas vezes contigo ainda é mais difí­cil. já devia estar habituada. mas não. parece que ainda custa mais. o coração pesa. sento-me no sofá a ler o meu livro, procurando não pensar nisso. mas é impossível. faltas tu do outro lado do sofá a olhar para mim. a falar comigo. como tudo é tão diferente sem ti.

o telemóvel toca. uma vez. duas vezes. três. acordo. és tu. dizes-me que estás cheio de saudades e que o fim-de-semana está a ser muito aborrecido. não digo nada, apenas oiço-te. cada palavra enche-me o coração de alegria.

- tenho sentido a tua falta.

um breve silêncio. mas agradável. acabamos por nos despedir e combinar um jantar no domingo à noite. volto a sentir aquela saudade. mas agora também sinto a tua presença. estás ali sentado no meu sofá. a olhar para mim. a sorrir. e eu já não me sinto sozinha.

às vezes ando mais melancólica. tu reparas e perguntas o que se passa. digo que não é nada. mas não aceitas a resposta, pensas que escondo algo. mas não. acredita que não. sim, passa-se algo. o quê? não sei. não devo ser normal, ando triste e não sei porquê. ou se calhar até sei, mas não faço um esforço para compreender. eu sei, é confuso. não sei como às vezes aguentas o meu ser complicado. mas obrigado. por me amares, tal como eu sou. e entretanto, já estou mais animada. foi um sorriso teu que me deixou assim.

uma vez sonhei que te via no meio de uma multidão. gritei por ti mas tu não ouviste. ou não fizeste por ouvir. corri ao teu encontro e abracei-te. com toda a minha força. havia-me perdido de ti mas agora já estava tudo bem. estava contigo. mas o abraço não era mais o mesmo. era frio e distante. lentamente, senti que te afastavas de mim. deixaste-me ali sozinha, no meio daquele mundo confuso e sufocante. chorei. estava a perder-te.

finalmente acordei e percebi que era só um pesadelo. estavas ao meu lado e dormias sossegadamente. olhei o teu rosto sereno e dei-te um beijo doce. reagiste. chegaste mais perto de mim e puseste o teu braço à volta da minha cintura. sim, foi só um sonho mau. diz-se por aí­ que sonhamos com os nossos maiores medos. talvez, não sei. se é um medo? com certeza. não quero perder-te. por isso, luto por nós. pelo nosso amor.

há dias apeteceu-me estar sozinha. peguei no meu livro, no casaco e na chave do carro e saí. quis fugir para longe. fui até à serra, eterno paraí­so. apesar da chuva, subi até ao alto e estacionei num lugar mais sossegado. pus-me a ler o meu adorado livro. queria abstrair-me de tudo. de todos os meus problemas. fiquei ali algumas horas. quando a chuva cessou, saí­ do carro e respirei fundo. aquele ar puro e fresco lembrou-me algumas aventuras do passado vividas naquela serra mística. soube-me bem aqueles momentos. são meus.

quando cheguei a casa, encontrei-te sentado no pequeno puff azul que está na entrada da sala. muito pensativo, extremamente concentrado. fizeste de conta que não me viste. dei-te um olá sereno e murmurado. não respondeste. continuaste calado, no mesmo sí­tio. perguntei logo se se passava alguma coisa. estavas diferente. disseste-me que tinhas telefonado e que eu não atendera. perguntaste-me onde tinha andado. sorri. já sabia o que se passava.

- fui até à serra desanuviar um pouco. desculpa. devia ter dito alguma coisa.

abracei-te. passei suavemente o meu rosto pelo teu, em sinal de carinho. o tempo só para mim passado na serra tinha sido muito bom mas esquecera-me de um aspecto muito importante. já não sou eu sozinha. tu também fazes parte da minha vida. por isso o que eu faço diz-te respeito. tal como o que tu fazes diz-me respeito. somos um. e por isso não há segredos entre nós. há diálogo. há amor.

lembro-me de momentos quando nos levamos um pelo outro. quando nos perdemos na noite e no tempo. quando experimentamos conhecer-nos cada vez melhor. cada palavra que sai­ da tua boca fascina-me. completamente. é tudo tão perfeito. tu. o que temos. o que vivemos. gosto disso.

há tempos, falei com o amigo em ti. em momentos mais difí­ceis assumes um papel extremamente importante. mais do que namorado, companheiro,o que seja, és um amigo. o meu melhor amigo. e vives esse momento. de me ajudar, de me apoiar. no que for preciso. e sei que quando falo contigo, ouves-me. realmente. preocupas-te. vives os meus problemas, as minhas alegrias. tal como eu vivo os teus momentos. e sei que posso contar-te tudo. eu quero. porque tu és eu e eu sou tu. somos um.

não sei o que sou sem ti. já dei voltas à cabeça, pensei hipóteses. mas não dá. não consigo sentir que num futuro poderás não estar comigo. não consigo imaginar ver-te partir para um rumo com outro destino que não eu. não consigo pensar que um dia posso deixar de sentir o teu aroma, os teus lábios, o teu sussurro no meu ouvido. quero-te. para sempre.

saber que um dia poderei perder-te despedaça-me o coração. rouba-me a voz e faz nascer uma lágrima tí­mida e cristalina no meu olho amendoado. faz-me querer que o tempo pare no momento exacto de um beijo nosso. de um beijo carinhoso. de um beijo de amor. faz desabar o meu mundo. quero-te. amo-te. "até ao fim dos tempos"...

às vezes penso naquilo que tenho. e sorrio. tenho-te. e isso é bom. o melhor. és a personagem da minha história que torna o sonho cada vez mais real. és um arco-íris no meu céu azul e sem nuvens. e o teu amor o pote de ouro que ouvíamos falar nas histórias de magia. és tu que me fazes dizer com um sorriso "e viveram felizes para sempre".

lembro-me do nosso fim-de-semana naquela casa. que tu tanto gostas. foi cheio de emoções. boas e más. lembro-me da discussão que tivemos. e do que crescemos com tudo o que falámos. lembro-me quando tudo se resolveu. pedi-te desculpa, não devia ter dito o que disse. porque tu me amas. eu sei que sim. tu sorriste e, como sempre, recebeste-me num abraço. e amo-te ainda mais por isso. porque mesmo quando não estou a ser amor para ti, tu não perdes a paciência e não desistes de tudo. fazes-me ver o que realmente importa. o amor. o nosso. nós dois que somos um. obrigado.

há tempos, estive a vasculhar uns livros que estavam ainda numas caixas. encontrei umas fotografias perdidas entre algumas páginas de um livro de amor. fotografias de uma ida nossa a porto cõvo, no mês de março. lembras-te desse fim-de-semana? ao ver aquelas fotografias na praia que eu nunca soube o nome, lembrei-me das coisas que me disseste. e que me tocaram no coração. foi um fim-de-semana que não esqueço.

foi numa tarde cinzenta. sentámo-nos num velho tronco pousado na areia fina e macia. tiraste-me uma fotografia e disseste que esta seria mágica. perguntei-te porquê. não respondeste. passaste suavemente a tua mão fria no meu rosto corado. sorriste. e disseste que me amavas. fizeste-me sentir especial. bonita. como só tu sabes fazer. e sempre que me lembro deste momento,sinto um arrepio agradável e parece que o coração sorri de felicidade.

lembro-me de quando estávamos longe um do outro. como era difí­cil. telefonávamos um ao outro quase todos os dias. e as mensagens, era uma a cada minuto. sentíamos que, assim, ficávamos mais perto. era uma maneira de enganar o coração. provisoriamente. até nos encontrarmos outra vez.

quando chegava o grande momento, o nosso reencontro era sempre especial. parecia sempre que era a primeira vez. disse-te isto várias vezes. ao ver-te, o meu coração batia mais rápido e ficava mesmo nervosa. e o pouco tempo que tínhamos era bem aproveitado. no fim, quando nos despedíamos, ficava uma eterna nostalgia de todos os momentos passados. parecia que tí­nhamos vivido anos juntos, mas a um ritmo acelerado. e já sentíamos a saudade a ferir o coração. já sentí­amos a dificuldade da distância. mas também sabíamos que o nosso amor era mais forte que tudo isso. e que, juntos, éramos imbatíveis.

e foi difícil. muito. ninguém faz ideia senão nós. ultrapassámos muitos obstáculos. principalmente a saudade e a dificuldade de estarmos muito longe um do outro. mas, tal como disse, juntos éramos e somos imbatí­veis. e o nosso amor fez-nos chegar até ao que somos hoje. duas pessoas que se amam. cada vez mais, a cada dia que passa.

hoje já não nos deparamos com o problema da distância. mas existem outras coisas que nos atordoam. e mesmo assim o nosso amor, mais forte do que nunca, supera tudo. porque somos um. porque somos amor.

barulho. agitação. gargalhadas. confusão. estou rodeada de actividade. de pessoas. de todo o tipo. conversas paralelas. palavras soltas que flutuam. ideias que se perdem no ar. estou sozinha numa multidão.

não. eu não estou aqui. estou muito longe. estou sentada ao teu lado. no nosso banco. mas não há mais ninguém. só nós os dois. recebes-me no teu abraço. perco-me no teu beijo. hipnotizas-me com o teu olhar sereno. contagias-me o teu sorriso. sinto o quente-frio das tuas mãos. roçamos suavemente os nossos narizes e sorrimos. silêncio. nada mais nos percorre que o amor, o desejo intenso de dar tudo o que temos. como me fazes feliz. como quero fazer-te feliz.

acordo. apercebo-me que já não estou sozinha. tenho alguém comigo. tu. e não é só de vez em quando. não. é sempre. para sempre.

às vezes sinto-me insegura. acordo assim e passo o dia todo a sentir isto. mesmo que não tenha razões para tal. eu sei, é estranho. provavelmente sou uma pessoa emocionalmente instável. não sei. ficas a pensar se a culpa é tua. não amor. há coisas que acontecem só por minha culpa. da minha cabeça. e esta é uma delas. é uma coisa que tenho que enfrentar. se podes ajudar? claro. fico contente se o fizeres. apesar de já o fazeres, mesmo sem pensares nisso. amas-me e por isso já me ajudas. e agradeço-te por isso. obrigado.

sabes, tu consegues tirar a tristeza dos meus dias. a mim. fazes isso de uma maneira espectacular. da forma mais simples e doce. amas-me. com todo o teu coração. e eu sinto-o. e sorrio por isso. fazes esquecer qualquer problema que eu tenha. fazes-me viver momentos especiais. únicos. fazes-me viver descontraída. fazes-me viver realmente. com toda a boa disposição. com toda a alegria. com todo o amor. sim, vivemos os dois este amor. intensamente. realmente. para sempre.

já te disse que adoro o teu sorriso? que me contagia? mesmo nos dias mais melancólicos. basta ver o brilho dos teus olhos para aquecer o meu coração. é inevitável. tu sabes. sabes bem que me dominas com o teu sorriso. com o teu olhar. não consigo resistir. nem quero. é demasiado singelo. é demasiado bonito. é demasiado amor. e é para mim. obrigado.

uma vez disseste-me que a vida é uma noite. e cada momento que vivemos é um sonho. sabes, fiquei a pensar nisso. e realmente é verdade. e isso faz-me querer sonhar cada vez mais. intensamente. contigo. durante toda a noite. isso faz-me perceber que tudo é muito mais simples do que pensamos. faz-me perceber que sonhar é o nosso objectivo.

há dias pus-me a enumerar coisas que me fazem sorrir. tu. um chocolate quente numa tarde de inverno. uma sessão de cinema num domingo à tarde. um lanche de amigas. uma boa recordação. tu. um cachecol fofo e infinito. uma boa noite com amigos. um aconchego numa noite fria. uma fotografia de bons momentos. tu. rosas amarelas. um edredon grandalhão e quentinho. gomas. um quadro abstracto. tu. o mar num dia de dezembro. um elogio. uma comida exótica. um sol de páscoa. um donuts de morango. já disse que também me fazes sorrir?

não gosto quando andas assim. com um olhar triste, vago. o brilho que tens nos olhos desvanece-se e a tua voz transborda de um vazio que sufoca. já não vejo o teu sorriso. apenas uma feição distorcida de alguém que perdeu-se no meio do nada. com um olhar transmites-me tudo o que te transtorna. não é por acaso que se diz que os olhos são a janela da alma. procuro contagiar-te com o meu sorriso. digo-te o quanto gosto de ti. procuro mostrar-te que me dói ver-te assim.

- amor, não te quero ver assim.

sorris. o ar pesado que se impunha não desaparece logo. mas aos poucos os teus olhos vão tornando-se mais reluzentes. o teu sorriso, mais sincero. a tua voz, mais doce. o teu amor, mais quente. amo-te.

ao longe oiço uma música bonita e serena. olho-te e digo que te amo. perco-me na imensidão do teu amor. do teu abraço. sabes que te amo. sabes bem. e sorris por isso. eu também. porque sinto-me bem contigo. sinto-me especial. sinto-me viva. sinto-me feliz.

"quero ficar contigo para sempre", disseste-me tu naquela noite fria e escura de dezembro. não foi preciso mais nada para me fazeres sorrir. bem, talvez o teu beijo que se seguiu facilitou. nessa mesma noite provaste que o teu amor não só é puro e verdadeiro como também inabalável. infinito. aqueceste o meu coração. aqueces-me a cada momento que me amas. mesmo quando não te apercebes. fazes-me feliz. e eu quero fazer-te feliz. por isso também to digo.

- sim amor. quero ficar contigo para sempre.

lembras-te daquela tarde enevoada de agosto? uma trovoada de verão. um calor abafado. sorrisos felizes. uma magia no ar. algo inexplicável. ou talvez não. algo especial. algo só nosso. o nosso amor. não esqueço um único momento desse dia. o simples olhar que me mandavas era o suficiente para deixar tudo e viajar contigo até outros mundos que mais ninguém conhece. a cada palavra que me dizias tinha cada vez mais a certeza que te amo. do fundo do coração. amo-te de uma maneira diferente de todas as outras. amo-te muito mais. e sou feliz por isso.

uma noite destas acordei num turbilhão de pensamentos. o meu coração estava a mil e senti-me uma estranha no meu próprio quarto. não estavas lá. encontravas-te em mais uma viagem de trabalho. lentamente, levantei-me e dirigi-me à cozinha. depois de beber um copo de água, sentei-me à mesa e fiquei a olhar para o nada. e por alguns minutos estanquei. parecia que não estava ali. que mais nada existia senão o meu corpo dormente e pesado. olhava pela janela e imaginava o que ainda há para ver nesse mundo tão grande e tão pequenino. tão perto e tão longe. tão complexo e tão simples.

voltei para a cama, procurando por meio dos lençóis uma forma de adormecer. não foi preciso muito. o cansaço invadiu-me e depressa perdi-me no mundo dos sonhos. num mundo que eu já conhecia. mais uma vez.

esta noite acordei com uma vontade enorme de dizer que te amo. que é bom acordar ao lado da pessoa mais importante do meu mundo. que gosto quando me animas nos momentos mais pesados. que sabes fazer uma pessoa sorrir com toda a transparência. que gosto de adormecer nos teus braços quentes e envolventes. que o teu olhar deixa-me completamente serena. que adoro ouvir a tua voz sussurrada no meu ouvido. que adoro partilhar um momento singelo contigo. que és um anjo. que quero ficar contigo para sempre. que ficas lindo quando tentas ficar sério num momento mais cómico. que a tua gargalhada me fascina. que tudo em ti me fascina. que és tudo aquilo que eu sempre sonhei. enfim, uma vontade enorme de te dizer uma data de coisas que tu já sabes. que eu faço questão de dizê-las uma vez. e outra. e mais outra. para que nunca te esqueças que és o meu amor.

um domingo de manhã, cinzento, mudo e gelado, acordei com a pouca claridade vinda da janela do nosso quarto. abri lentamente os olhos e senti um ligeiro movimento no lado contrário da cama. eras tu que te acomodavas na tua almofada quente e suada do calor da noite. chegaste mais perto de mim, sempre de olhos cerrados, perdido num sonho profundo e longínquo. novamente silêncio, sem qualquer movimento. por momentos, voltei a sentir a fraqueza do sono. os meus olhos pesavam e um arrepio incómodo percorreu o meu corpo. num segundo, agarrei-me a ti como se nada mais me salvasse daquela inquietação gelada que me perseguia. inconscientemente abraçaste-me, contraíndo-se todo o teu corpo bem junto do meu. sempre de olhos fechados. sempre longe do real. e sempre ali para mim.

- está tudo bem...?

respondi, entre alguns monossílabos incompreensíveis, que sim. voltaste a relaxar. mesmo assim continuei protegida no teu doce abraço. no teu silêncio reconfortante. onde se soltavam palavras mudas que continuavam a ter sentido. palavras. gestos. amor. sentia que éramos inatingíveis, que nada no mundo nos abalaria. sorri. fechei os olhos, procurando um sonho onde embarcar para o outro mundo, embalado pela leve brisa da tua respiração na minha nuca. procurei dar-te mais um bocadinho de mim, antes de me dissipar numa nuvem envolvente de mais um sonho mágico.

- amo-te muito amor...

sou feliz. verdadeiramente. dás-me o amor que eu preciso. vejo-te sorrir. e por isso também sou feliz. pela tua felicidade. por ti. porque é esse o meu objectivo. procurarmos juntos a nossa felicidade. a felicidade de cada um. a felicidade deste um que somos. deste amor que nos une.

pego no chá de limão com mel. aninho-me no sofá da sala, em frente à televisão. estou com gripe, não fui trabalhar. quase que não me mexo, são tais as dores por todo o corpo. o dia cinzento e chuvoso não anima nada. quanto mais uma pessoa doente. sinto aquele calor desagradável. o corpo quente, suado da febre. sinto-me mal. conto os minutos para que chegues a casa. para que me dês miminhos. quero-te aqui comigo.

não aguento e vou tomar um banho tépido, na esperança de melhorar este mau estar. visto uma roupa quente e volto a esconder num grande edredon. agora na minha cama. adormeço. deliro. suo. sinto-me mal.

chegas e encontras-me adormecida no quarto. mais serena, mais calma. melhor. a tarde foi longa e difícil. a noite traz-me um momento mais fresco, menos delirante. um momento de descanso. traz-me também os teus miminhos. o que me faz também sentir melhor. ainda bem que te tenho comigo. ainda bem que posso contar contigo. não sei o que seria sem ti.

já te disse que gosto muito de ti? já? não importa. digo-te outra vez. amo-te.

às vezes apetecia-me passar um fim-de-semana longe de tudo. ir para uma casa isolada, à beira-mar. levar um casaco quente, um livro e tu. depois queria soltar-me de todos os problemas que me rodeiam, deixar-me perder no sonho. na fantasia. talvez numa onda de ilusão. respirar outra vez aquele mundo que eu anseio. que eu sonho. que eu procuro. que eu tento viver.

apetece-me chorar. abraça-me. ama-me. estou a cair.

e porque há sempre um novo dia, aqui estou eu. contigo. com um sorriso sincero. feliz por te amar. por me amares. por sermos um. amor.

foste para fora. mais trabalho. e eu sinto muito a tua falta. tenho procurado distrair-me. vou saindo, bebo uns cafés, muitas conversas, noitadas com amigos. mas quando volto a casa, quando entro pela porta, sinto logo um vazio. uma brisa de nada. sinto que algo falta. faltas tu. e quando telefonas, choro sempre. mesmo que não te apercebas. o meu coração chora. porque não te tem. porque anda perdido.

ontem, quando voltava do emprego, encontrei um cachorrinho todo sujo e indefeso. chovia intensamente e o pobre cãozinho quase não se levantava. não devia ter muito tempo de vida. já sabes como eu sou, um coração de manteiga. fui ao carro e trouxe uns velhos trapos que andavam por lá. enrolei o coitadito e trouxe-o para o carro. quando cheguei, preparei-lhe logo um banho quente e algo para poder alimentá-lo. uma hora depois já dormia num cantinho improvisado. sei que poucos momentos depois adormeci. estava exausta.

duas horas depois acordei com o telemóvel a tocar. eras tu. estava ansiosa para te contar. olhei de relance e vi que o cachorrinho continuava sossegadinho. antendi o telefonema. falavas num tom cansado. repetias que estavas farto e que querias voltar para casa. voltar para mim. perguntaste-me se eu estava bem. respondi-te.

- arranjei um amiguinho.
9.11.03
 
vida - um livro aberto
sou tudo e não sou ninguém. sou uma história. mais alguém que vive o sonho antes da noite chegar.

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